terça-feira, 1 de junho de 2010

NOVO GRUPO DE ESTUDOS SOBRE TEORIA SOCIAL

Teve início no día 1/06/2010 a primeira sessão do GRUPO DE ESTUDOS SOBRE TEORIA SOCIAL, coordenado por Fernando Pedrão, focalizando na obra de Antonio Negri. Os textos considerados serão: Império, Multidão e Cinco Lições sobre o Império.
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A próxima sessão está marcada para quinta feira 12 de agosto às 11:00h em ponto, à Rua José Peroba, 275, Ed. Metrópolis, cobertura (sede da UNIPESSOA), STIEP.
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A participação nos grupos de estudos é gratuita e exclusiva aos sócios do IPS.
Aos interessados em participar do Grupo ou do IPS, contactar a Diretoria do IPS através do e-mail: institutodepesquisassociais@gmail.com.
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REFERÊNCIAS
NEGRI, Antonio; HARDT, Michael. Império. Rio de Janeiro/São Paulo: Record, 2004
NEGRI, Antonio. Cinco lições sobre o Império. Rio de janeiro: DP&A, 2003
NEGRI, Antonio; HARDT, Michael. Multidão. Rio de Janeiro: Record, 2005

ARTIGO

A BUSCA DE UMA VISÃO INTEGRADA DA EXPERIÊNCIA SOCIAL

Heron Albergaria*


As crises carregam consigo todo um ingrediente de negação e revelação. Por meio das crises surgem circunstâncias inusitadas que, ao negarem certos aspectos do curso histórico imediatamente anterior, acabam por revelar facetas até então pouco sintetizadas da totalidade social. Em virtude da crise mundial cujo estopim de propagação foi deflagrado em setembro de 2008, parece consensual que o movimento histórico tenha voltado a alvejar algumas referências do pensamento liberal. Com efeito, pelo menos é possível afirmar que ele fez cambalear a conhecida presunção de racionalidade no comportamento conjunto dos agentes econômicos.

No entanto, o colapso nas premissas de uma determinada linha interpretativa não elege, como simples correia de transmissão automática, as premissas das demais, muito embora possa realmente adubar seu revigoramento. Tal qual ocorrido na crise de 1929, é pouco provável que os eventos em 2008 cheguem a solapar os itens atingidos do liberalismo, pois, sua sobrevida jamais esteve sustentada por fios meramente factuais. Então, faz-se mesmo necessário prosseguir revendo as condições atuais de validade do pensamento crítico à ordem liberal.

A atualização das categorias teóricas, ou seja, a reconstituição crítica dos fundamentos com os quais se trabalha, é um componente essencial da atividade científica. Sua tarefa é, como vem aqui ao caso, reavaliar os níveis de compatibilidade entre o arcabouço teórico assumido como referência e a interpretação das transformações historicamente observáveis na realidade social. Se consistente, as idas e vindas nesse instigante e árduo trabalho podem efetivamente recompor os alicerces da leitura crítica para reorientar os horizontes da pesquisa aplicada.

Isso não é algo que se faça apenas por escolha metodológica. O desenvolvimento recente nas condições técnicas da pesquisa científica vem revolucionando constantemente as bases da ciência moderna. As revelações obtidas, por exemplo, pelo campo da física quântica, da biogenética, das interações nos fenômenos ambientais, ou da arqueologia estão redefinindo os parâmetros de adequação de bases conceituais sobre as quais as próprias ciências da natureza e da sociedade foram progressivamente edificadas. A irreversibilidade extraída em Prigogine/Stengers, o acaso em Monod, a incerteza em Heisenberg, a convergência em Capra, a metamorfose nas classes sociais em Chico de Oliveira, a emergência das transições paradigmáticas em Boaventura Santos, dentre outros, são testemunho disso. Extrai-se daí um reconhecimento notório da necessidade de atualização do aparato teórico.

Os filósofos gregos da antiguidade ficariam perplexos se soubessem a quê tantos avanços nos conduziram. Tão enraizada na ciência moderna, a departamentalização do conhecimento aparenta sinais de exaustão face o desenvolvimento científico que ajudou a proporcionar. Esses sinais ainda estão sendo assimilados pelos centros de estudo. Seu desafio é recondicionar o seu caminhar durante a própria caminhada, para torná-la apta às próximas jornadas.

* Economista, Mestre em desenvolvimento regional, Membro do Conselho Fiscal do IPS

segunda-feira, 24 de maio de 2010

CURSO DE EXTENSÃO: A ECONOMIA POLÍTICA CRITICA DE MARX

O Instituto de Pesquisas Sociais – IPS lança a 6ª edição do curso de extensão “A economia política crítica de Marx” a ser realizado nos meses de Maio a Julho de 2010.

O curso, ministrado pelo Prof. Fernando Pedrão, focaliza o sentido de totalidade contido no movimento geral da formação da obra de Marx, tentando realizar as duas tarefas principais de identificar a relação entre os fundamentos históricos e as categorias de análise e o movimento dialético da estruturação da obra em seu conjunto.

A imensa literatura existente sobre a obra de Karl Marx compreende trabalhos descritivos e resumos, trabalhos especializados sobre aspectos considerados como mais importantes, mais polêmicos ou de interesse mais imediato, além de um grande número de textos superficiais ou que incorrem em simplificações impróprias. No entanto, a compreensão da totalidade é necessária para todos aqueles que pretendem visualizar a contribuição de Marx na formação de uma consciência crítica no campo social, portanto, aqueles que se defrontam com os problemas renovados no eixo de alienação, subalternidade e emancipação.

OBJETIVOS

1. Oferecer uma visão integrada e historicamente situada do pensamento de Karl Marx, focalizando em seus fundamentos econômicos e sociais e filosóficos. 2. Apresentar uma exposição organicamente organizada, tendo como referência central O Capital.

3. Identificar desdobramentos da análise social de Marx no contexto das ciências sociais para os países periféricos.

CARGA HORÁRIA: 20 horas
LOCAL: Rua José Peroba, 275, Ed. Metrópolis, cobertura (sede da UNIPESSOA), STIEP.
DATAS: 21/05, 28/05, 11/06, 18/06, 09/07, 16/07, 23/07
HORÁRIO: das 14:00h às 17:00h.
INVESTIMENTO: R$100,00 para sócios e R$200,00 para não sócios, pagos no ato da inscrição. Os alunos receberão um arquivo em PDF contendo o texto do curso de cerca de 140 páginas, cuja leitura deve ser iniciada antes das aulas.
PAGAMENTO: Depósito identificado na conta corrente do Instituto de Pesquisas Sociais – IPS:
Banco do Brasil~
ag. 2956-4
c/c 12171-1
PÚBLICO ALVO: Profissionais com curso superior completo e estudantes universitários
INSCRIÇÕES:
institutodepesquisassociais@gmail.com
CERTIFICADO: Pelo Instituto de Pesquisas Sociais.
AVISO: Recomenda-se a leitura prévia do capítulo "A gênese e a metamorfose do capital" do texto de Fernando Pedrão, pp.120-168

quarta-feira, 5 de maio de 2010

ARTIGO

A GÊNESE POLÍTICA DE BARACK OBAMA E O PAPEL DE UMA UNIVERSIDADE DE EXCELÊNCIA

Amílcar Baiardi*

Diante de tanta perplexidade decorrente do fato de um afro-descendente chegar à Casa Branca, convém fazer um exercício sobre como isto se tornou possível e concordar com Mia Couto, quando afirma que Barack Obama, pelo que tem de democrático e plural, dificilmente seria eleito por um país africano e se fosse não tomaria posse ou seria deposto. Obama, muito além de ser o presidente que qualquer Estado nação merece, culto, sensível, ético, tolerante, sonhador, etc., por pertencer a uma minoria até pouco tempo atrás discriminada, cria expectativas extraordinárias e a sensação de que o mundo está mudando. Será isto verdade? O que está por trás deste fenômeno?

Se tivesse de indicar a primeira causa do acontecimento inusitado diria que Barack Obama se tornou presidente dos EEUU graças a uma determinante de primeira instância que foi sua mãe Stanley Ann Dunham, não somente pelo fato biológico de lhe ter concebido, mas pelo que significou em termos de ensinamentos e exemplos na linha da universalidade de valores como tolerância racial e religiosa e capacidade de se envolver em projetos de combate à pobreza e redução das desigualdades, tanto do ponto de vista teórico (uma tese de 800 páginas sobre os camponeses de Java) como prático (lutas sindicais em favor das mulheres e criação de instituições de micro-crédito). A estas características deve-se somar sua cultura hippie e sua disposição de ser iconoclasta, mandando às favas todos os preconceitos e fazendo sexo livremente, como deve ser, com homens de raças diferentes da sua, africano e asiático.

Como segunda causa mais importante indicaria o fato de Obama ser cidadão norte-americano e ter vivido na última década e feito carreira política nos EEUU setentrional. Ali, aonde chegaram os “pilgrims” do Mayflower, impregnados de valores religiosos separatistas e visões de mundo compartilhadas com os puritanos, que mais tarde levariam à experiência democrática e republicana de Cromwell, à crença nas possibilidades da ciência por meio de Francis Bacon e à valorização das liberdades individuais por meio de Locke. Os pilgrims fundaram uma nação baseada na propriedade agrícola familiar e no trabalho manual, por eles muito valorizados, e foram capazes de manter relações pacíficas com os povos indígenas. Neste ambiente cultural criavam-se oportunidades menos desiguais de ascensão social e se fomentava o ensino, entre eles o ensino universitário. Estas visões de mundo, somadas ao ascetismo que favorecia a poupança e a acumulação primitiva, levaria à prosperidade, a um tecido social coeso e à formação do core competence da nação americana. Nele não havia lugar para a escravidão colonial e este território setentrional americano não hesitou, mesmo diante do risco de divisão do país, de guerrear o sul escravista, cuja organização econômica se baseava na plantation.

Este retrato da dinâmica histórica do território setentrional norte americano que passou a ser definido pelos historiadores do econômico como o modelo de colonização de povoamento, é o oposto ao que os colonos portugueses fizeram no Brasil, que nasce sob a égide da plantation açucareira, funcional ao capitalismo mercantil e labour intensive como sistema econômico. Como os valores fidalgos da Península Ibérica rejeitavam o risco e o trabalho manual e diante da inexistência de excedentes populacionais, buscou-se a equação alocativa de fatores produtivos mais óbvia: suprir o trabalho por meio da escravidão mesmo que isso significasse a destruição de nações tribais e a restauração de relação de trabalho que se supunha superada, instituindo o opróbio e a destruição física de populações. O que havia de mais atrasado na Europa enquanto instituições, os Estados e as sociedades da Península Ibérica, inventam a colônia de exploração e o escravismo colonial na América.

As conseqüências da escravidão para o Brasil, latifúndio, exclusão social e oportunidades desiguais de ascensão social, só seriam melhor avaliadas pelas gerações futuras, como disse Joaquim Nabuco. Destarte, não só Obama teria pouca viabilidade na África, como no Brasil também.

Como terceira causa mais importante indicaria a qualidade do ensino universitário. Obama, após o ensino básico, só freqüentou universidades integrantes da Ivory League, ou Ivy League, as melhores dos USA, nas quais obteve uma sólida formação profissional e um conhecimento amplo sobre humanidades. Seu desempenho se não foi o mais brilhante, pelo menos ficou entre os melhores, o que fez com que ele fosse o primeiro afro-descendente a ser eleito para a presidência da Harvard Law Review. Foi o ensino superior de qualidade que pavimentou seu caminho para o sucesso e ele conseguiu custeá-lo em parte com ajuda de familiares e amigos e em parte mediante empréstimos para estudantes. Este é um dado relevante. Não basta ter acesso à universidade. O importante é que sejam universidades diferenciadas. Algumas do Middle West e do sul não projetariam Obama da mesma forma.

Com relação ao seu governo, o mesmo re-estabelece uma tradição do partido democrata que elegeu presidentes com características de estadistas mais abertos, como Jimmy Carter e Bill Clinton. No momento Obama está sendo elogiado por Fidel Castro e por Hugo Chavez, o que é um bom sinal. Ainda é cedo para saber se enfrentará com determinação os lobbies dos judeus norte-americanos, que bloqueiam uma ação mais incisiva dos EEUU em favor da paz com dignidade para os palestinos no Oriente Médio, e do complexo industrial militar, que exige uma demanda governamental por novos armamentos de todo o tipo, a serem comercializados e testados por todo o mundo, criando uma dependência de tensões e conflitos regionais.

O fato de Obama ser negro amplia as expectativas de mudanças políticas e sociais, o que se explica pela história de sofrimentos a que a raça negra foi submetida em toda a América e na África. Contudo, como o conceito biológico de raça para explicar diferenças humanas não subsiste, não tem base científica uma vez que existe mais semelhança genética entre determinados grupos de negros e brancos que entre determinados grupos de brancos, não se pode concluir que por essa condição, ser negro, Obama será mais democrático e mais sensível às injustiças. Neste terreno, pertencer a esta ou aquela raça, não conta. Contam outros atributos decorrentes de formação, experiências de socialização e caráter. A história registra inúmeros exemplos de estadistas e militantes negros que muito fizeram pelo seu povo e pela humanidade como Selassié, Leopold Senghor, Mandela, Amílcar Cabral, Luther King, etc., mas também, registra tiranos como Papa Doc, Idi Amin Dada, Robert Mugabe, etc., que nada ficaram a dever aos piores ditadores de raça branca.


*Professor Titular da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia

terça-feira, 6 de abril de 2010

ARTIGO

SIGNIFICADO ATUAL DO SETOR NUCLEAR PARA O BRASIL

Anya Cabral*


O desenvolvimento do setor nuclear é hoje de extrema relevância na concepção estratégica de poder do Brasil. A opção nuclear engloba questões de autonomia energética e controle dos recursos energéticos, cuja disposição desigual leva a disputas internacionais. O controle da energia nuclear depende do desenvolvimento da tecnologia nuclear, tanto de prospecção de materiais radioativos, quanto de beneficiamento no processo do ciclo do combustível, mas também da tecnologia de geração de energia de origem nuclear que consiste numa gama complexa de produtos para construção e operação de usinas nucleares e centros de produção de radiofármacos, dentre outros. O uso bélico acirra a disputa pelo controle tecnológico da energia nuclear, ao limitar o acesso a essa tecnologia.

Detentor de reservas de minerais radioativos, o Brasil participa desde a década de 1940 do “mundo nuclear”. Essa posição, no entanto, não lhe garantiu vantagens no acesso à tecnologia nuclear, pelo contrário. O árduo caminho rumo à autonomia ainda não terminou, embora o Brasil já domine o ciclo do combustível.

A experiência brasileira mostrou que a tecnologia nuclear não se transfere e, enquanto o país se submeteu a acordos desiguais, primeiro com os Estados Unidos e depois com a Alemanha, pouco avançou no desenvolvimento tecnológico do setor. Esse avanço se deu quando, na ocasião do Programa Autônomo de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear, conhecido como Programa Nuclear Paralelo, o país optou por investir no desenvolvimento de tecnologia própria.

A retomada do Programa Nuclear Brasileiro, que contempla a expansão da participação da energia nuclear na matriz energética brasileira, a construção de um submarino nuclear e o desenvolvimento em escala industrial do ciclo do combustível, juntamente com o anúncio do Plano Nacional de Energia 2030; o Plano Nacional de Energia Elétrica 2030; e a Estratégia de Defesa Nacional, revela uma mudança no papel estratégico do setor nuclear na política brasileira. Trata-se de reativar o setor em todas as áreas, simultaneamente, inclusive com a reformulação da base institucional. O Brasil assiste ao ressurgimento do setor nuclear, não só por acompanhar a tendência mundial da expansão da energia nuclear para a produção de energia elétrica, mas considerando o “nuclear” como estratégico para firmar sua posição no cenário geopolítico internacional e regional.

O futuro do setor nuclear brasileiro depende, no entanto, da capacidade do governo em conduzir o desenvolvimento simultâneo de todas as áreas, assim como ocorreu nos Estados Unidos, durante a Segunda Guerra Mundial. Mas se a guerra criou as condições favoráveis para a direção do processo pelas Forças Armadas, conjuntamente com o governo estadunidense, estas condições não se repetem atualmente no Brasil.

Apesar de todas as atividades relacionadas à área nuclear serem da competência da União , a estrutura de poder no país explica, em parte, a dificuldade do governo em se posicionar perante o conflito entre os interesses públicos e privados, sobretudo em um país onde se promove a privatização de setores estratégicos. A flexibilização do monopólio do setor nuclear ensejada pelo setor privado, com a concordância de membros do setor público, coloca em risco a autonomia nuclear brasileira necessária para a consecução do plano cujos objetivos são atingir a auto-suficiência energética, contribuir para a defesa das reservas energéticas e da Amazônia e o desenvolvimento tecnológico.

Em ano eleitoral redobram as preocupações quanto à política nuclear, tendo em vista a descontinuidade recorrente dos programas de um governo para outro. No caso do setor nuclear esta descontinuidade pode levar a graves conseqüências. Não se pode apenas abandonar uma instalação nuclear. O processo de descomissionamento e, sobretudo, o gerenciamento dos rejeitos radioativos produzidos pode levar centenas ou milhares de anos.

Por último, não se trata de um posicionamento contra ou favor da utilização da energia nuclear, mas de reabrir o debate sobre o tema, por tanto tempo velado por uma aura de mistério.

*Diretora Administrativa do IPS

quarta-feira, 3 de março de 2010

ARTIGO

NÃO BASTA A RETOMADA DO CRESCIMENTO ECONOMICO*

Gilton Aragão**

Com a retomada do crescimento do produto interno em vários países surge também a esperança de que “tudo voltará a ser como antes”. E antes, tudo ia bem?

A crise financeira mundial, a partir da sua erupção mais visível, em setembro de 2008, decorreu de uma contradição estrutural, que não é exclusivamente econômico-financeira, abrangendo múltiplas áreas, inclusive a do meio ambiente.

Dentre os críticos da atual ordem econômica mundial, é quase um consenso a conclusão de que saíram desmoralizadas as principais teses do neoliberalismo, especialmente a auto-regulação e a eficiência do sistema e dos instrumentos financeiros sofisticados; trazendo de volta o debate sobre as formas alternativas de organização sócio-econômica das sociedades.

No Brasil, o governo federal tem divulgado que estamos indo muito bem e que somos o país que melhor enfrentou a crise, já que os números indicam a retomada do crescimento econômico. Entretanto, esses números são capazes de iludir. E quanto mais se aproximam as eleições, maior é a tentação de se produzir mensagens onde se exagera o positivo e se esconde o negativo.

O mercado interno brasileiro, embora venha crescendo, tem limites para esse crescimento e o mercado externo, basicamente a China e Estados Unidos, não é capaz de absorver todos os bens primários produzidos. A estratégia de vender comodities agrícolas e minerais se aproxima do esgotamento, independentemente do risco representado pela chamada “doença holandesa”, a desindustrialização provocada por esse apego à exportação de bens primários.

É preciso ainda decodificar os números regionais e estaduais para se ver, com clareza, a persistência das nossas debilidades. Observar por exemplo que, se mantido o ritmo e a natureza do crescimento brasileiro, continuarão as disparidades sócio-econômicas e o acesso precário das pessoas situadas nas camadas sociais de baixa renda à educação, saúde, saneamento e habitação. O aumento da renda baseado em sua maior parte nas transferências e ações assistencialistas não é consistente com um modelo sustentável de crescimento. O provisório não pode ser definitivo e a participação da remuneração do trabalho na renda nacional tem que voltar a crescer.

Revendo a reação do governo brasileiro frente à crise dá para distinguir três fases: a primeira, a subestimação ou a “marolinha”: o status quo foi mantido, especialmente a política monetária e seus elevados juros, embora medidas pontuais tenham sido implantadas, visando conter o desaquecimento da economia brasileira; a segunda, o reconhecimento ou o “caiu a ficha”: o governo assumiu a gravidade da crise, mudou o discurso, porem continuou adotando medidas pontuais; e a terceira, um novo modelo: quando decidiu adotar um novo modelo de desenvolvimento. Mas, esse grande desafio vai ficar para o próximo presidente.

De fato, um novo modelo implica em uma nova estratégia de desenvolvimento que tenha como ferramenta básica, o planejamento. Crescer sem planejar pode travar. Novos valores e novos paradigmas devem ser estabelecidos. Quantos automóveis, por exemplo, as estradas e ruas brasileiras suportam? Para adotar-se um novo modelo tem-se que partir de um diagnóstico que não se restrinja a exibir um quadro otimista no curto prazo, nem a manter a estratégia construída nos anos 90.

Esse novo modelo deve surgir depois de avaliada a gestão e os resultados dos últimos anos, nos quais a sociedade brasileira acumulou elementos para refletir sobre quais são as forças políticas que estarão em melhores condições, em todos os aspectos, para conduzir essa transformação.

Esse novo modelo deve também incentivar a melhoria do nível de organização e de participação da sociedade civil, a convergência de interesses, a “concertação” com efetivo diálogo social, e o desenvolvimento sócio-econômico, preservando o meio ambiente. Em essência, isto significa: implantação de medidas capazes de modificar a atual ordem de prioridades, com a valorização de projetos voltados para os pequenos e médios empreendimentos, especialmente os cooperativos e solidários.

* Artigo publicado no Boletim Informativo do IPS, em fevereiro de 2010
**Economista e Professor universitário.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

SEMINÁRIO: HAITI EM FOCO: ALÉM DO TERREMOTO

No dia 10/03/2010, o IPS, através do Grupo REPI – Relações Políticas Internacionais, realizou o Seminário HAITI EM FOCO: HISTÓRIA E PERSPECTIVAS, voltado para seus sócios e demais interessados. O evento ocorreu na sede da UNIPESSOA no STIEP e contou com três grandes palestrantes: Dra. Juliette Robichez, professora de Direito internacional da FIB; Aloísio Fernandes, Capitão da Polícia Militar da Bahia e Fernando Pedrão, professor visitante da UFRB e Presidente do IPS.

A primeira palestra, a proferida pela Profª Juliette Robichez, tratou do direito internacional em geral; das normas que regem as relações entre países que formam blocos econômicos e das normas e princípios que regem a MINUSTAD – Missões das Nações Unidas.

A segunda foi a do Capitão Aloísio Fernandes, que tratou das questões políticas e operacionais da MINUSTAD – Missões das Nações Unidas em geral e especificamente, a missão atual no Haiti, comandada pelo Brasil.

Na terceira, a cargo do Prof. Pedrão, foram tratadas questões relativas às origens e especificidades do Haiti, ressaltando o fato desse país ser o primeiro a romper com o sistema colonialista francês e a fundar uma república independente, o que não foi suficiente para afastar do país a pobreza e o atraso. Comentou ainda o professor Pedrão o recente terremoto com seu número absurdo de vítimas, o que reflete a precariedade da infra-estrutura.

Antes do início dos debates foi apresentado pela Coordenação do Evento, com comentários da Profª Rafaela Ludolf, diretora de assuntos institucionais do IPS, um vídeo realizado por uma emissora de televisão mexicana, que mostra o terremoto recente e as perspectivas para a reconstrução do Haiti, com apoio internacional.

Aberto o debate, este contou com a intensa participação dos presentes e, apesar do horário avançado, foram levantadas questões polêmicas como a integração dos países latino-americanos e inevitavelmente, a natureza e os resultados da política externa brasileira, analisando-se o padrão de relacionamento com os demais países da América Latina.

Finalizando, o professor Pedrão declarou a sua satisfação com os resultados do evento em termos de número de participantes e do elevado nível dos assuntos tratados. Afirmou ainda que eventos como esse contribuem para tornar o IPS um centro de discussão de idéias e um espaço independente, a serviço do conhecimento científico.



quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

SEMINÁRIO: MUNDO DO TRABALHO E CRISE DO CAPITALISMO MUNDIAL

OBJETIVOS:

- Analisar os rumos atuais do mundo do trabalho face às transformações das últimas décadas desde a queda do muro de Berlim, com ailusão do fim da história, passando pelo neoliberalismo e o culto ao mercado, até a crise financeira mundial e o cenário pós-crise.
- Examinar o papel dos partidos políticos com base nas clases trabalhadoras e suas estratégias de conquista e exercício do poder.
- Discutir o papel das elites intelectuais no processo de construção da hegemonia do mundo de hoje em uma sociedade com enormes desafios e assimetrias socio-econômicas.

DATA: Quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
HORÁRIO: 8:30h às 12:00h
LOCAL: Sede da UNIPESSOA, Cobertura do Condomínio Empresarial Metrópolis. Rua Dr. José Peroba, 275, Stiep. (ao lado do prédio da pós-graduação da UNIFACS)

PROGRAMAÇÃO:
08:30h – 09:00h
Credenciamento
Filiação de novos sócios.
09:00h – 09:15h
Abertura e Apresentação do Seminário: Fernando Pedrão -Diretor Geral do IPS
O cenário do mundo do trabalho no Brasil - Frederico Fernandes (UFBA/SETRE)
Presidente da Mesa: Márcia Misi
09:45h – 10:15h
Debate
10:15h – 10:45
Intervalo
10:45 – 11:15h
O cenário atual do mundo do trabalho - Inaiá Carvalho (CRH e FFCH/UFBA)
Presidente da Mesa: Fernando Pedrão
11:15h – 11:45h
Debate
11:45h – 12:00h
Encerramento - Diretoria do IPS

INSCRIÇÕES:
Gratuitas
institutodepesquisassociais@gmail.com

APOIO:
UNIPESSOA

sexta-feira, 20 de novembro de 2009


O I Seminário sobre Geopolítica e Transformações nas Relações Econômicas e Políticas Internacionais foi um sucesso. O IPS agradece a presença dos conferencistas e de todos os participantes pela oportunidade de discutir temas de grande relevância na arena internacional. É importante dizer que esse tipo de iniciativa não apenas cumpre uma meta, um objetivo institucional, mas corresponde também, do ponto de vista pessoal, ao interesse de todos. Até o próximo ano!


Apresentações disponíveis:

Ministro Wang Qingyuan

Sr. Wilson Andrade

Sr. George Gurgel


terça-feira, 10 de novembro de 2009

SEMINÁRIO: GEOPOLÍTICA E AS TRANSFORMAÇÕES DAS RELAÇÕES ECONÔMICAS INTERNACIONAIS

O Instituto de Pesquisas Sociais – IPS promoverá nos dias 18 , 19 e 20 de novembro no auditório do Desenbahia, o seminário “Geopolítica e as Transformações das Relações Econômicas Internacionais”.

O evento, que conta com o apoio do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA, da Agência de Fomento ao Desenvolvimento do Estado da Bahia – Desenbahia, da Universidade Salvador (Unifacs), da Pefeitura Municipal de Salvador e do Governo do Estado da Bahia, através da Secretaria de Ciência e Tecnologia, contará com a participação de especialistas da academia, embaixadas estrangeiras, organismos internacionais e órgãos públicos. Desta forma, o encontro possibilitará a observação dos efeitos dos novos movimentos internacionais, tais como de ampliação das participações no Mercosul e das condições negociadas de comércio, que precisam ser traduzidos como referências de políticas para o Estado da Bahia.

Serão entregues certificados.
As inscrições são gratuitas , mas precisam ser efetuadas previamente. Informações através dos contatos:
seminariori@taticcaeventos.com.br e dos telefones 71 3354-9050/ 3494.2838.

Palestrantes Confirmados:
- Fernando Cardoso Pedrão - Firetor Geral do IPS - Instituto de Pesquisas Sociais

- André Garcez Ghirardi – Assessor Internacional da Presidência da Petrobrás
- Luiz Alberto Pititinga – Presidente do Desenbahia
- Eduardo Lacerda Ramos - Secretario Estadual de Ciência e Tecnologia
- Wilson Andrade – Presidente da Câmara de Comércio Brasil – China na Bahia
- Jandir Ferrera de Lima - Pesquisador CNPQ e Professor da Universidade Estatal do Oeste do Paraná - UNIOESTE / Toledo.
- Leonel Leal Neto – Chefe de Gabinete do Prefeito de Salvador
- José Flávio de Sombra Saraiva – Diretor Geral do IBRI – Instituto Brasileiro de Relações Internacionais


Horario:

18 de Novembro - inicio as 19h

19 e 20 de Novembro - das 8h as 17h (com intervalos)